A Economia e as Verdades Secretas


Há consenso de que em todas as famílias há verdades secretas que, de tempos em tempos, vêem à tona em sussurros ao pé do ouvido ou em situações extremas de brigas e mortes. Na economia não é diferente. Há verdades que parecem ser secretas para os responsáveis por sua condução e por aqueles que são os beneficiados. Para o restante da população distante dos privilégios do poder e das benesses públicas as “falsas” verdades são percebidas como insustentáveis a médio e longo prazo.

A matriz macroeconômica implementada durante o primeiro mandato da presidente Dilma trazia em seu bojo a plena e duradoura felicidade para os felizardos e crédulos: elevados gastos públicos, sobretudo, destinados ao social, juros baixos, crédito e consumo fartos, preços administrados (cambio, energia, combustíveis e etc.) controlados e frouxidão das metas de inflação. Tudo isso associado à sofrível governança corporativa das empresas e instituições públicas levou o sistema econômico a uma rota de colisão, resultando em uma das mais sérias e completas crises (econômica, política, social e de credibilidade) que o país já vivenciou.

Diante disto, pressionada pelas circunstancias, a presidente Dilma viu-se obrigada a alterar os alicerceis de sua matriz macroeconômica e convidar o ortodoxo-eficiente Joaquim Levy para consertar seus próprios e crassos erros.

Em seu último pronunciamento na ONU no dia 28 de setembro, a presidente Dilma parecia que enfim relevaria todas as verdades escondidas debaixo do tapete quando afirmou “que o modelo de crescimento econômico do país chegou ao limite”. No entanto, num golpe de mestre alterou a ordem dos fatos ao afirmar: “a desvalorização cambial e as pressões recessivas produziram inflação e forte queda da arrecadação, levando a restrições nas contas públicas”. Apenas para ilustrar e sendo breve a atual desvalorização cambial é resultado da falta de competência, de vontade política e de credibilidade para dar andamento a desordem fiscal de natureza conjuntural e estrutural.

A negação dos problemas ainda teima em persistir. A verdade ainda continuará secreta, assim ela crê verdadeiramente. No entanto, para 69% das pessoas consultadas pelo Ibope, nesta última semana, a verdade já foi revelada. Este governo está reprovado!