Número 56
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 11 de outubro de 2000, pg. 24.
CONJUNTURA


Os investimentos e os proprietários estrangeiros
Os investimentos realizados pelas transnacionais totalizaram, em 1999, US$800 bilhões, dos quais US$720 bilhões (90%) se destinaram a fusões e aquisições “transfronteiras”, em nível mundial, representando um aumento de 16% e 36%, respectivamente, em relação a 1998. Esse montante revela que a maior parcela dos fluxos internacionais não tende a adicionar capacidade produtiva líquida. Tais fluxos viabilizaram (apenas) a transferência de posse e de controle de proprietários domésticos para estrangeiros. Esse movimento, em escala global, tem sido mais intenso nos países desenvolvidos (89,3%), do que nos em desenvolvimento (10,7%).

No Brasil, a mudança de nacionalidade do proprietário das empresas e de instituições em geral movimentou US$ 7,0 bilhões, ou quase 1% de todo o fluxo. A despeito do volume reduzido quando comparado em termos mundiais, as fusões e aquisições no país vêm alterando a lógica do processo de produção, os vínculos entre os fornecedores e compradores e a natureza das barreiras (à entrada e à saída) de toda a cadeia produtiva.

Em muitos casos, os objetivos de negócios das estrangeiras recém-ingressadas podem não ser os mesmos dos países hospedeiros. Isso revela, de certa maneira, que a implementação bem-sucedida de uma transação financeira não significa, necessariamente, geração de impactos positivos e imediatos para a economia. Objetivos diferenciados e, as vezes, conflitantes podem trazer sérios prejuízos e “pendengas” para as áreas social e jurídica, já bem afetadas e sobrecarregadas por questões genuinamente locais.