Número 40
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 27 de abril de 2000, pg. 16.
CONJUNTURA


O alívio dos juros

Duas novidades começam a acontecer para o público tomador de crédito: as taxas de juros das operações retomam a tendência de baixa e o volume de empréstimos apresenta trajetória expansionista.

Com relação às taxas de juros em geral, a queda foi representativa, passando de 62,3%, em fevereiro, para 58,3% ao ano, em março. Já para as pessoas físicas que utilizam o cheque especial, os juros caíram de 152,7% para 144,8% ao ano, o nível mais baixo dos últimos cinco anos. Essa queda é significativa considerando que os juros de captação têm permanecido estáveis, desde outubro, quando da implantação das medidas direcionadas à redução do spread bancário, por parte do Banco Central.

Com relação aos empréstimos às pessoas físicas, a expansão, em fevereiro, foi da ordem de 4,8%, em relação ao mês anterior, e de 25,4% nos últimos doze meses. O saldo desses empréstimos, que alcançou R$37,4 bilhões, representa 16% dos empréstimos no âmbito de todo o setor privado.

Apesar da tendência de baixa, os juros praticados no mercado financeiro e no comércio em geral continuam a ser abusivamente elevados e injustificáveis sob quaisquer forma de avaliação. O uso de cheque especial só se justifica, no Brasil, em casos muito especiais (tomadores desesperados), e não como antecipação de renda para aquisição de bens e serviços, como ocorre na grande maioria dos países civilizados.