Número 61
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 25 de novembro de 2000, pg. 16.
CONJUNTURA


Novos parceiros do Brasil?
Estados Unidos, Alemanha, Japão e Suíça foram os investidores mais presentes ao longo da história econômica do país. A partir de 1995, o perfil dos investidores externos começou a alterar-se rapidamente. Os fluxos de investimentos acumulados, de US$95 bilhões entre 1996 e novembro de 2000, revelam que os norte americanos continuam líderes no país, participando com 25% do total investido. Os parceiros que passaram a ser significativos na atividade econômica do Brasil são: os espanhóis, com quase 18%, os holandeses, com 9,3%, e os franceses, com 8%.

De todos esses parceiros, somente os Estados Unidos mantém fortes vínculos de comércio com o Brasil, representando mais de 23% de todas as nossas transações de compras e vendas externas.

A Espanha, segunda no ranking de investidores, mantém fracas relações comerciais com o país, algo próximo a 2% do total. E mais, enquanto as exportações brasileiras para o mercado espanhol são basicamente de commodities (minério de ferro, soja e café), as nossas importações são de produtos de elevado valor agregado, entre outros: partes e peças para aviões, helicópteros, automóveis e tratores, aparelhos elétricos para telefonia, medicamentos e veículos de passageiros em geral. O resultado disso é um saldo negativo em transações correntes com os espanhóis. Excetuando os norte-americanos, os outros três principais investidores são tímidos compradores de produtos brasileiros, não ultrapassando, em média, 10% de nossas exportações totais. Em síntese, no caso brasileiro, bons investidores nem sempre são bons compradores.