Publicado pelo Diário do Comércio-MG em 14 de junho de 2016.
Por Mara Biancheti


Ponto alto neste período de um mês é a formação da equipe econômica

Ao completar um mês, o governo interino de Michel Temer (PMDB) divide opiniões quanto às medidas anunciadas e as ações propriamente executadas. Especialistas são unânimes ao dizer que o ponto alto do governo até aqui foi a formação da equipe econômica que, por si só, sinaliza algum resgate da credibilidade brasileira. Por outro lado, todos alegam que o campo político – especialmente no que se refere ao Congresso – continuará sendo o principal desafio do presidente na busca pelas reformas estruturais, caso ele assuma definitivamente o poder com a cassação de Dilma Rousseff (PT) pelo Senado Federal.

A professora dos cursos de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), Virene Matesco, defende que o maior acerto do governo interino até o momento foi a montagem da equipe econômica. Segundo ela, o mercado reagiu bem à escolha de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda e Ilan Goldfajn para a chefia do Banco Central, gerando um ambiente de tranquilidade e expectativa favorável em relação ao direcionamento da política econômica do País.

“Especialmente a figura do Meirelles indicou o resgate de fundamentos econômicos, que já não se via no Brasil desde o governo Lula. Esses fundamentos incluem o equilíbrio fiscal, o teto e o centro da meta da inflação e a flutuação do câmbio”, resume.

Cada um destes pontos, de acordo com Virene Matesco, possui poder decisivo sobre a recuperação econômica do País, seja como influência para retomada do consumo, para retomada da credibilidade dos investidores ou para redução dos juros. “O governo está agindo na direção correta”, avalia.

Por outro lado, a professora acredita que o Congresso ainda precisa “ajudar” o governo nas reformas estruturais – que permitirão a solução dos problemas no longo prazo. “Neste sentido, não é que o Temer não tenha o apoio político, é que há uma desestruturação política no País”, explica.

Para completar, ela lembra que a Operação Lava Jato pode desestabilizar o novo governo assim como fez com o anterior. “As citações cada dia ceifam um e isso fragiliza o governo Temer”, completa.


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Governo Temer divide opiniões