Publicado pela Revista Ornatus em junho de 2016


Se basta você ouvir falar no termo “indicadores econômicos” para sentir calafrios, tenha calma! Primeiro, porque eles não são tão difíceis de ser compreendidos como parecem; segundo, porque saber interpretá-los é fundamental para entender o momento do País, as suas finanças e o seu negócio. Eles são importantes pois dão um diagnóstica e mostram o desempenho e os problemas da economia.

Para facilitar o entendimento, a equipe da Revista Ornatus conversou com a economista Virene Matesco, professora dos cursos de MBA da Fundação Getulio Vargas, a FGV. Veja abaixo quais são os principais indicadores econômicos e como eles afetam direta ou indiretamente sua vida e o seu negócio.

PIB – Produto Interno Bruto

É a medida do quanto foi produzido no País em determinado período. O PIB é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, ao final de 12 meses, a instituição anuncia o desempenho do País no ano. Já o Banco Central divulga no relatório Focus as projeções futuras do PIB, estimadas de acordo com os resultados passados.

Por que é importante acompanhar: “Ele nos mostra quais setores estão indo bem e quais estão indo mal e revela o desempenho da economia por setor, região e estado e, por fim, do País”, esclarece Virene.

Selic – Sistema Especial de Liquidação e Custódia

A Selic é a taxa base da economia e representa o custo do dinheiro do País e o custo para se captar recursos no mercado. Ela é determinada pelo Banco Central e é utilizada para remunerar os títulos públicos.

Porque é importante acompanhar: “Se a Selic sobe, o custo do dinheiro também vai subir. Por isso, ela é um parâmetro extremamente importante para quem vai tomar empréstimo e para as empresas fazerem seus negócios”. Já os poupadores que investem em aplicações financeiras com rentabilidade atrelada à taxa Selic se beneficiam da sua alta. “Mas a maioria da população, que é tomadora de crédito, que financia cartão de crédito e cheque especial, fica no prejuízo”, pondera a economista.

Inflação

É a alta contínua e generalizada dos preços de uma economia. Todo mundo sente a inflação porque ela reflete diretamente no bolso.

Por que é importante acompanhar: “Ela é um reflexo da desorganização da economia e nos tira o poder de compra. Os preços sobem e os salários não são reajustados, prejudicando a sociedade, sobretudo quem tem baixa renda. No mundo desenvolvido, a taxa aceitável para a inflação é de 2% ao ano. Um índice superior a este mostra que a economia está desorganizada”.

Taxa de Câmbio

O dólar é a principal moeda que mantém o seu status de moeda reserva no mundo. Por isso, há um grande esforço interno para tê-lo. “A taxa de câmbio no Brasil flutua muito em função de fatos e expectativas, e isso gera instabilidade nos negócios e incerteza para tomada de decisões. Quando o câmbio dispara, outros preços que não têm a ver com as importações sobem em virtude da incerteza”.

Por que é importante acompanhar: “A taxa de câmbio é o nosso preço internacional. É o primeiro anteparo para ir ao mercado externo. Quando a taxa dispara, o custo do importado sobe. Como o Brasil importa muito mais do que exporta, a nossa balança de comércio é desfavorável, e o custo das importações sobe, sendo transferido para os produtos importados ou para aqueles que têm componentes que vêm de fora”, explica Virene.

Índices de Preços

O IGP-M, Índice Geral de Preços do Mercado, é calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com base nos preços o comércio no atacado, no varejo e na construção civil. Pode ser usado em reajustes de tarifas públicas e em contratos.

“Ele nos dá um parâmetro de como os preços da economia estão evoluindo. Cada um de nós pode escolher o índice que deseja para gerir nossos contratos, como o de aluguel. E muitos escolhem o IGP-M, por ser mais conhecido.”

Já o IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, é o índice oficial do País medido pelo IBGE. Ele reflete o custo de vida das famílias que recebem de um a 40 salários-mínimos e é referência para o sistema de metas da inflação.


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