Número 83
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 17 de agosto de 2001, pg. 16.
CONJUNTURA


Nos últimos meses, o país vem passando por situações difíceis. A desaceleração da atividade econômica já se tornou um fato: a produção física industrial (-1,09%) e o volume de vendas no varejo (-0,99%) caíram em junho, em relação ao mês anterior. Do lado da indústria, o que mais chama a atenção é que dos dez estados pesquisados, o Rio Grande do Sul e Paraná, não estão sob contenção de energia elétrica e mesmo assim, apresentaram desaceleração da produção física industrial. Neste caso, o futuro incerto da economia vizinha, as sucessivas elevações dos juros básicos, o descontrole do câmbio e o arrocho fiscal parecem ser as razões mais contundentes. Do lado das vendas no varejo, dos 27 estados pesquisados pelo IBGE, 17 deles registraram desempenho negativo, tendo como os maiores vilões os segmentos de móveis e de eletrodomésticos. Neste caso, o stress da macroeconomia, aliado ao constrangimento de energia elétrica, encontraram boas razões.

As constantes elevações dos juros, além de não segurarem a alta dos preços (7,05% pelo IPCA e 10,78% pelo IGP-DI, no acumulado de 12 meses, até julho) aumentaram fortemente o estoque da dívida líquida pública, que já alcançou R$620 bilhões, ou 51,3% do PIB. Resta-nos, como consolo, o vigoroso superávit fiscal, que já atingiu R$45 bilhões, ou 3,9% do PIB.

Neste momento, uma questão nos aflige. Qual será o custo, para os trabalhadores e empresários, da perseguição — às vezes exagerada — da manutenção dos fundamentos macroeconômicos? Parece que neste caso, somente o tempo será o senhor da razão. Ele nos responderá esta tal questão.