Número 03
Publicado pelo Jornal do Brasil, 10 de abril de 1999, pg. 16.
CONJUNTURA


A desvalorização cambial foi absorvida pela economia brasileira sem a volta da indexação; e agora parece pouco provável que esta venha a acontecer. É uma ótima notícia, não prevista pela maioria dos economistas.

Os índices de preços divulgados recentemente apontam para uma queda da inflação no mês de março. O IPC-Brasil, da FGV, recuou para menos que 1% (seu valor foi de 1,41% em fevereiro). O IPA em março foi de 2,84% (seu percentual foi quase 7% registrados em fevereiro).

Duas lições decorrem desses números. A primeira é que o efeito da crise cambial não pôde ser repassado para os preços dos produtos finais. O consumidor brasileiro está muito mais atento aos aumentos de preços. Neste momento, de desemprego pela contenção da demanda interna, o jeito é substituir produtos caros ou simplesmente deixar de consumi-los. É o amadurecimento e a racionalidade do consumidor, em plena evidência.

A segunda lição é que as empresas estão absorvendo os aumentos de custos, sem repassá-los aos preços. Provavelmente contam com um aumento da produtividade, o qual, aliás, já vem ocorrendo há alguns anos.

A reestruturação ocorrida em muitas empresas, desde meados de 1990, com impacto sobre a produtividade dos fatores de produção e a qualidade dos bens finais, tem levado à substituição das importações por produtos nacionais. O efeito é positivo, pois representa o recuo da recessão prevista pelo governo para este ano ainda. A recessão se houver, será bem menor.

Essas são as boas notícias. A ruim fica por conta do anúncio dos reajustes de até 16% para a eletricidade, e de mais de 7% para os combustíveis. Embora contratuais, são aumentos que vêm em má hora.

Virene Roxo Matesco-Instituto Brasileiro de Economia – IBRE/FGV