Número 80
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 07 de julho de 2001, pg.14.
CONJUNTURA


No Brasil, a participação das transações tecnológicas por setores da atividade econômica não segue a mesma distribuição da produção de bens e serviços setorial. Segundo o IBGE, enquanto o setor de serviços é responsável por cerca de 68%, a indústria com 23% e a agropecuária próximo a 9% do PIB, o dinamismo tecnológico está fortemente centrado na indústria de transformação: 57,23% das exportações e 50,37% das importações de tecnologias, que totalizaram US$2,8 bilhões e US$ 11,6, respectivamente, no período 1990 a 2000. O segmento terciário (comércio e serviços) ficou com quase todo o restante, 41,93% das exportações e 47,91% das importações.

Embora, o setor terciário venha aumentando a sua participação na produção total dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, ele constitui um usuário (absorvedor) das inovações tecnológicas. Na verdade, as tecnologias de mercado são geradas e desenvolvidas pelo e para o setor industrial, sobretudo pelos segmentos-chaves, tais como: químico, bens de capital e equipamentos (material e componentes) de transportes e elétrico eletrônico.

O Brasil segue a mesma direção dos países líderes em inovação e capacitação tecnológicas. Os EUA como, por exemplo, têm nestes segmentos industriais forte dinamismo inovador. A diferença é o montante de recursos envolvidos. No Brasil dos dispêndios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), de cerca de 1% do PIB, 20% são de responsabilidade do setor industrial. Nos EUA, dos 4,8% do PIB em P&D, 80% são gerados e desenvolvidos pela indústria. As nossas empresas industriais estão no rumo certo do desenvolvimento tecnológico, contudo, falta-lhes maior apoio financeiro e melhoria do capital institucional.