Número 52
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 13 de setembro de 2000, pg. 14.
CONJUNTURA


Historicamente, o Brasil sempre apresentou níveis insuficientes de poupança nacional para financiar os investimentos necessários à geração de seu desenvolvimento econômico e social. Até meados dos anos 60, os gastos públicos eram cobertos, em parte, por meio de emissão de moeda. A elevação dos preços internos era repassada aos consumidores, órfãos de concorrência e de leis de proteção. A partir de então, com a ampliação do mercado financeiro internacional, a utilização de poupança externa, por meio de empréstimos e financiamentos, era garantida pelos “excelentes” cadastros de nossas estatais e também pelos governos em geral.

A opção singular de tornar possível aumentar, em conjunto, os níveis de consumo e investimento e, ao mesmo tempo, cobrir a deficiência de crédito doméstico se configurou no verdadeiro milagre do regime político-econômico então vigente. A continuidade do excepcional crescimento da economia dependia do ingresso permanente de capitais externos (a despeito da crise mundial dos anos 70) para cobrir os desequilíbrios. A dívida externa tornara-se explosiva: de 12% do PIB, em 1970, para 50%, em 1983.

O milagre encontrara o seu limite. O Brasil pediu, mais uma vez, moratória; a riqueza nacional decresceu (queda do PIB) e o aumento do número de excluídos evidenciou que a irresponsabilidade na geração de desequilíbrios públicos causa um enorme e diferenciado custo para a sociedade.