Desde a chegada de Joaquim Levy para o cargo de Ministro da Fazenda que o assunto “ajuste fiscal”, tão importante e necessário, faz parte do dia a dia do país. Ideias e propostas apressadas e mal elaboradas são anunciadas constantemente como balões de ensaio, para sentir o grau de resistência e de tolerância da sociedade civil e dos políticos em geral. Mas claramente falta a esse governo um direcionamento estruturado e bem delineado do papel do Estado no cotidiano de nossas vidas presente e futura.

Chega a ser espantoso que, de um orçamento público de mais de R$ 1,2 trilhão, os nossos mandatários encontram enormes dificuldades em cortar R$ 30 bilhões, ou seja, apenas 2,5%. E nas dificuldades em eliminar privilégios de verdadeiros monarcas, a tesoura recai mais pesadamente sobre as despesas em investimentos produtivos, único e legítimo passaporte para o Brasil do futuro. Como cortar é mais penoso do que arrecadar, o governo decide reaquecer ideias antigas e lança como solução “temporária, por talvez quatro anos”, no discurso do ministro, o retorno da CPMF, sob o argumento de financiar a Previdência Social, e a elevação de alíquotas do imposto de renda.

Como já sabido, a carga tributária brasileira, superior a 37% do PIB é de longe a maior dentre os países com níveis de renda semelhantes ao nosso. E, a despeito deste enorme montante de recursos monetários a disposição do governo, o retorno à sociedade como usuária de bens e serviços de utilidade coletiva é sofrível em qualidade e em quantidade às necessidades da população. Tais bens e serviços disponibilizado dá ao Brasil a mais alta relação custo/benefício: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medida de bem estar social ocupa a 85ª. posição no ranking da ONU.

As recentes medidas deste “mais novo” ajuste fiscal, lançado logo após a perda de grau de investimento, se mostram envelhecidas em sua essência, cujas propostas já outrora descartadas mais se parecem com “coisas requentadas”.