Profa. Virene Matesco comenta os estudos de Angus Deaton, Nobel de Economia de 2015.


Nós, cidadãos comuns, não temos tudo que gostaríamos de ter. As nossas empresas não produzem e vendem as quantidades dimensionadas e planejadas por seus gerentes, e os países não crescem o quanto seus governantes programaram e almejaram.

Por que de tudo isto? A resposta mais plausível é porque vivemos em um mundo de dificuldades e escassez.

Diante das inúmeras restrições quer sejam ambientais e climáticas quer sejam de natureza econômica (renda, crédito, capital financeiro, tecnologia, mão de obra), temos que, permanentemente, fazer escolha. E, por isso, somos todos frutos de nossas próprias escolhas diante das distintas restrições.

Como viver é fazer escolhas, a forma pela qual os indivíduos alocam sua renda pessoal disponível em consumo ou em poupança determinará a performance das empresas e, por decorrência, da economia de um país.

Como o estudo da escolha constitui um dos princípios básicos econômicos, a Academia Real de Ciências da Suécia neste ano laureou Angus Deaton, professor da Universidade de Princeton, como merecedor do Premio Nobel de Economia, em um movimento de resgate às origens da teoria econômica.

Deaton em seus estudos destaca a escolha do consumo dos indivíduos como determinante na formulação de políticas públicas promovedoras do bem estar e da redução dos níveis de pobreza da população.

Ao associar as decisões individuais sobre as cestas de bens e serviços e as variáveis agregadas, sua pesquisa fez o link entre as áreas do conhecimento da microeconomia, da macroeconomia e do desenvolvimento social.

Em outras palavras, a escolha de o quê, quanto e quando consumir definirá tanto o padrão de consumo presente e futuro de uma sociedade, como também o montante de impostos gerados. As receitas públicas decorrentes e alocadas (novamente escolhas) serão essenciais para a melhoria do bem estar e das condições de vida de uma população.

Em síntese, escolhas individuais, com boas e eficientes escolhas públicas tendem a resultar em elevados níveis de desenvolvimento a distintos grupos sociais.

Em parte, somos o resultado das escolhas dos outros e, assim, o mundo gira.