Publicado na REDE DE EXECUTIVOS/FGV nº 18 – Janeiro/Fevereiro de 2006


Em 2005, mais uma vez, o Brasil apresentou fraco desempenho (próximo a 2ºo), em relação às previsões anteriores e a outros países emergentes, tais como; China com 9,7%, Argentina e Índia com 8%. Diante deste cenário tão decepcionante, uma pergunta nos aflige. Por que o Brasil não cresce de forma sustentável? A resposta não é única e simples. Duas razões se destacam: baixa poupança interna (20% do PIB), e, escorchantes juros reais que, juntos, limitam os investimentos produtivos e, assim, o alto e sustentável crescimento econômico. A China, por exemplo, poupa 40% do PIB e o ritmo dos investimentos lá sustentam o crescimento próximo a 10%, por anos seguidos.

De maneira semelhante, o consumo presente das famílias deve refletir o seu nível de renda. Em caso contrário, o crédito, os empréstimos ou outras modalidades irão compensar a insuficiência de renda e o consumo se expande e, não raro, a felicidade do consumo se transforma em sofrimento e motivo de discórdia familiar, às vezes de pessoas muito queridas.

Há dois anos, o Brasil vem vivendo a coqueluche do falso dinheiro barato. Bancos, instituições financeiras e de crédito em geral contratam artistas para, juntos, venderem ilusões E a população, de todas as idades e pelos mais diferentes motivos (justos ou não) está se endividando além de sua capacidade de honrar em dia os compromissos assumidos, que associado à prática abusiva de juros altos, resulta em crescente inadimplência Em média mensal, os bancos cobram 3,5% de taxas para empréstimos pessoais, as instituições financeiras e de cartões de crédito cerca de 9%, enquanto, a caderneta de poupança remunera a 0,7%, o CDB a 1,4% e os fundos de aplicação a 1,5%.

As pessoas chegam ao absurdo de autorizar o desconto direto em seus (suados) salários e pensões, a juros de 3% ao mês, sendo este um dos menores da praça. E os negócios nesta área são altamente compensadores.

Espalhados pela cidade estão surgindo várias lojas e departamentos financeiros de comércio tradicional, todos bem coloridos e chamativos.

No sistema econômico e no consumo nosso de cada dia não ocorrem milagres, somente trabalho duro, planejamento e boa gestão financeira, em nível público e pessoal. O verdadeiro Milagre está em administrar com máxima eficiência os recursos escassos. O resto é auto-engano e felicidade passageira.