PUBLICADO NA REDE DE EXECUTIVOS/FGV – nº17 | NOV-DEZ DE 2005


As festas de final de ano são esperadas com enormes expectativas pelos empresários, e não poderia ser diferente, uma vez que elas significam o ápice de seus negócios e, para muitos deles, a possibilidade de sair do vermelho.

O ano que está findando foi intenso, vivenciamos algumas situações positivas e outras bem negativas. Fazendo parte do primeiro grupo, tivemos: as exportações são recordes, US$ 114 bilhões, em 12 meses até outubro; orçamento superavitário em R$ 98 bilhões, a despeito da má qualidade deste superávit; e queda dos preços, IPCA de 4,73% e IGP-M de 1,22% até outubro, ante 7,6% e 12,41% registrados em 2004, respectivamente;

Fazendo parte do segundo, tivemos: elevada carga tributária, de 40% do PIB que onera sem piedade o empresário e o trabalhador legalmente formalizados; escorchantes juros reais, os do Banco Central, Selic de 14%, e os dos bancos comerciais de 148%ªª, em média, pelo uso do cheque especial; alta dívida do setor público, R$ 979 bilhões (51,1% do PIB); paralisia institucional do país diante das denúncias de corrupção, e, por fim, menor previsão de crescimento econômico, de 2,6%, ante 4,94% registrados em 2004. Diante disto, quais são as expectativas das vendas para este final de ano? As principais entidades de classes estão otimistas, estimam expansão entre 10% a 15%, em relação a 2004. Três fatores justificam tal otimismo.

 

O primeiro é o salto expressivo do crédito em geral. Especificamente às pessoas físicas, o aumento foi espetacular, 40% em todas as modalidades até setembro, em relação a igual período de 2004. Destaca-se o crédito consignado, que se tornou a coqueluche do mercado com expansão de 102%, representando, sozinho, 35% da carteira de crédito pessoal da rede bancária. Incluem-se, ainda, as carteiras das empresas de financiamento de consumo como cartões de crédito, financeiras e etc. que registraram incremento de 38%.

O segundo é o aumento do poder de compra da massa salarial, em decorrência da queda da inflação. Tomando-se como base os dados da Fiesp, os salários reais médios vêem crescendo; até setembro o aumentou foi 17,4%, em relação a janeiro de 2003, e de 10%, em relação a janeiro de 2005.

O terceiro fator de estímulo às vendas é a injeção de cerca de R$ 45 bilhões pelo pagamento do 13º salário. Considerando que boa parte desta quantia será destinada a quitação de contas atrasadas (o quê não deixa de voltar para o mercado), o restante deverá ser despendido em compras de final de ano.

Assim, acredita-se que os empresários deverão estar duplamente felizes no momento de brindar a meia-noite de 31 de dezembro. Pelo bom desempenho em suas vendas e pela chegada de um novo ano que, nos campos político e esportivo irão proporcionar muitas emoções a todos os brasileiros, e para alguns excelentes perspectivas de negócios.

 

 

 

[1] Co-Autora do Livro “Economia para não Economistas”, com Schenini P., Editora Senac, RJ, 2005.