Número 88
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 31 de outubro de 2001, pg. 16.
CONJUNTURA


Os dados das contas externa de setembro confirmam o esforço do país em obter saldo comercial superavitário, a despeito das perspectivas sombrias com relação ao cenário mundial. Nos primeiros nove meses deste ano, as exportações líquidas de bens alcançaram US$ 1,2 bilhão, ante os US$ 676 milhões registrados, em igual período do ano passado (se adicionado o resultado da quarta semana de outubro, o saldo comercial acumulado já remonta a US$1,4 bilhão). Com a boa performance das exportações, a tendência é de melhora gradual do déficit em transações correntes, que remonta a U$S-17,4 bilhões, associada a redução, sobretudo, nos gastos com transportes (-5,3%) e viagens internacionais (-17,1%).

A qualidade do financiamento do saldo negativo em transações correntes, que ficou em –4,61% do PIB, melhorou sensivelmente. O fluxo líquido de investimentos diretos estrangeiros que, em setembro, alcançou US$ 1,2 bilhão e no acumulado do ano US$17,1 bilhões, cobriu quase a totalidade da necessidade de financiamento externo. A despeito da queda de liquidez no mercado mundial, as perspectivas para este ano tornam-se menos difíceis. Diante dos últimos resultados, os fluxos líquidos de investimentos diretos estrangeiros, em 2001, deverão situar-se ao redor de US$ 19 bilhões. Embora, tal projeção revele uma forte queda no volume de capital das transnacionais, ante os US$ 30,5 bilhões ingressos em 2000, a tendência é de diminuir a volatilidade da taxa de câmbio e o chamado “risco-país”.