Número 75
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 18 de maio de 2001, pg.16.
CONJUNTURA


Nas últimas semanas, o país vem vivenciando sucessivas situações e notícias extremamente graves. A desaceleração da atividade econômica já se prenuncia como certa, embora, nesses dias, de difícil mensuração.

As incertezas com relação ao futuro da economia da Argentina e o desaquecimento nos EUA foram, de início, as origens das constantes desvalorizações do câmbio, seguidas pelos aumentos nas taxas internas de juros (over/Selic), a despeito das reduções dos juros nos principais mercados internacionais. Posteriormente, a longa paralisia decisória do Congresso, a elevação dos preços internos (6,61% para o IPCA e de 11,16% para o IGP-DI, no acumulado de 12 meses, até abril), os constantes déficits em transações correntes, a maneira pela qual o governo e alguns parlamentares vêm procurando solucionar a crise política e a indefinição para as regras de racionamento de energia elétrica, constituem alguns dos mais tristes e sérios acontecimentos já ocorridos, na histórica recente. E, como não podia ser diferente, o câmbio volta a bater novos recordes, frente à iminente redução nos fluxos de investimentos estrangeiros (e seu impacto sobre as contas externas) sinalizando, assim, um total stress macroeconômico.

O reconhecimento do governo, pelo seu descuido em relação ao potencial energético tem, neste momento, pouca serventia. Há muito que a sociedade vem percebendo a péssima qualidade do capital institucional brasileiro, que se mostra incapaz de coordenar ações mais duradouras com as medidas de ajustes que se fazem necessárias frente aos desequilíbrios conjunturais.