Número 65
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 04 de janeiro de 2001, pg. 12.
CONJUNTURA


É inegável o progresso (embora diferenciado) alcançado pela sociedade brasileira nas últimas décadas. Contudo, os anos 90 foram decisivos, devido à maior inserção do país no comércio internacional de bens e serviços e nos mercados financeiros mundiais. O país entrou “pra valer” na era da globalização. O crescente ingresso de capital estrangeiro, sob a forma de investimentos diretos e capitais financeiros, associado à maior absorção de tecnologias e de formas distintas de organização produtiva, trouxe aos agentes econômicos novas práticas de comportamento centradas em maior liberdade de ação.

Em decorrência da maior visibilidade do país no exterior e dos estrangeiros no mercado local, novas prioridades naturalmente surgiram. À medida que as empresas passaram a exigir maiores ganhos de produtividade do trabalhador, os consumidores passaram a exigir produtos melhores a preços menores. A fase dos amadores e dos meros repassadores de preços ficou finalmente para trás.

Embora a economia venha dando bons sinais de fortalecimento e a renda per capita tenha dobrado de US$ 2.186, em 1988, para US$ 4.793, em 1998, há ainda muito o que fazer. Na área social, é preciso eliminar a “cegueira” de quase 12 milhões de analfabetos, além de alimentar e dar habitação a mais de 20 milhões de brasileiros muito pobres. Na área da justiça, é preciso implementar maior agilidade e rigor, dando claras demonstrações a todos e, sobretudo, aos jovens, que os descaminhos efetivamente não compensam.

O novo milênio demanda um Brasil menos injusto em todas as áreas.