Número 35
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 22 de fevereiro de 2000, pg. 16.
CONJUNTURA


A volta dos ibéricos 500 anos depois
O processo de privatização brasileiro, que vem causando impacto profundo sobre a estrutura e padrão de produção, gerou ao longo dos anos 90 um montante de quase US$89 bilhões, dos quais 80% são referentes às receitas com vendas e o restante às transferências de dívidas.

É sabido que a participação estrangeira na privatização é bem significativa, remontando, até o momento, 44% do volume total. A novidade reside no fato de que dos investidores estrangeiros tradicionais operando no Brasil somente os Estados Unidos mantiveram a sua posição de liderança, participando com quase 15% das transações totais. Os alemães e os japoneses, que historicamente mantinham o segundo e o terceiro lugares no ranking dos maiores investidores externos, mostraram pouco interesse na aquisição dos ativos privatizáveis do país: o primeiro com 0,4% e o segundo somente com 0,1% do total.

A outra novidade é a participação agressiva dos investidores espanhóis e portugueses tanto nas privatizações (telecomunicações e energia) quanto nas aquisições e fusões de empresas e instituições em geral. A participação da Espanha e de Portugal nos fluxos totais de investimentos diretos, que em 1995 estava em 0,6% e 0,3%, respectivamente, passou para 17,6% e 7,5%, no período entre 1996 e set.1999. Como há 500 anos atrás os nativos os recebem de braços abertos.