Número 34
Publicado pelo Jornal do Brasil, de 25 de janeiro de 2000, pg. 14.
CONJUNTURA


Abertura da economia
A crescente participação do capital estrangeiro na economia do país começa a tornar-se foco de atenção de alguns dirigentes públicos, políticos e economistas. De fato, os fluxos de investimentos diretos estrangeiros têm crescido de forma significativa, fazendo com que o país assuma posições de destaque no cenário mundial, passando a ocupar, desde 1996, a segunda colocação dentre todos os países em desenvolvimento.

Nas operações de fusões, aquisições e joint ventures, a participação do capital estrangeiro tem sido superior a 55%, desde 1994, representando em 1999 maioria absoluta (cerca de 70%, posição até julho). E mais, nas privatizações, a presença do investidor externo tem ficado acima de 42%.

Tais evidências, em geral vistas como positivas, estão causando preocupação. Dois motivos são citados: a) o aumento das remessas ao exterior de lucros e dividendos: de US$1,6 bilhão em 1990 para US$5,6 bilhões, média dos últimos três anos; e b) a reduzida vocação exportadora das empresas estrangeiras. O coeficiente de comércio delas, que em 1990 era de 5% para as importações e 12% para exportações, hoje é de 9%, em ambos os casos.

Na realidade, tais números são de se esperar, pois o investimento estrangeiro recente tem se concentrado no setor da infraestrutura. Se esta situação vai causar ou não problemas no futuro, depende essencialmente do desempenho exportador da economia brasileira como um todo, incentivado pela possível variação cambial. De qualquer modo, o governo precisa ficar atento.